Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço

Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço

Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço.

A expressão é antiga, como também é antiga a certeza de que sua eficácia é praticamente nula. Todos nós sabemos que a melhor forma de educação é o exemplo, não a imposição. E se falássemos da construção de cidades melhores, mais sustentáveis, com menos desperdícios e recursos melhor empregados, de onde deveria vir o exemplo?

O papel dos governos é servir ao povo. Apesar de muitas vezes aceitarmos que essa função não é bem exercida, os governos são quem deveriam pensar as cidades, os espaços públicos, os equipamentos urbanos para longo prazo. Isso quer dizer que suas ações devem refletir melhorias na qualidade de vida hoje, mas também no futuro. E não há como pensar o amanhã pulando etapas.

Um governo que queira ser exemplo para a construção de cidades mais sustentáveis deveria desde já tomar medidas concretas que priorizem a sustentabilidade. Para isso, um primeiro passo é estabelecer metas. Concretas.Com números, prazos, planos de ação. Sabendo onde se quer chegar, quando e como, o caminho pode ser percorrido com coerência.

Dito isto, gostaria de deixar algumas inspirações que poderia servir de exemplo para os gestores públicos:

  • Novas obras deveriam obrigatoriamente atender normas de eficiência energética para edificações.
  • Redução do uso de sistemas de aquecimento e refrigeração e máximo aproveitamento da luz natural podem ser obtidos a partir de um bom projeto arquitetônico.
  • Sistemas de geração de energia para autoconsumo podem ser adotados e já são realidade em grandes centros urbanos.
  • Reaproveitamento de águas pluviais, economia no uso de água e redução da produção de resíduossão medidas simples e baratas que podem ser aplicadas a partir de pequenas adaptações e principalmente educação do usuário.
  • Redução da burocracia, do uso de papel, do desperdício de tempo também são medidas sustentáveis, que aumentam a sensação de bem estar dos cidadãos.
  • O investimento em espaços públicos, verdes, com áreas para a prática esportiva, para o lazer das famílias, diminuem a sensação de sufocamento tão típico das cidades verticalizadas e muito adossadas.
  • E, por fim, priorização dos transportes coletivos e construção de ciclovias para incentivo do uso de bicicletas, patins, skates como alternativas de transporte.

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Mas não se engane. Resistências farão parte do processo. Atender a todos os interesses é inviável. Mas a coletividade deve ser o foco. Isso é democracia. Medidas para a construção de cidades sustentáveis costumam ser impopulares em um primeiro momento, mas não demora muito para serem compreendidas e ovacionadas. Todos querem viver bem, sentir-se respeitados como cidadãos e ter orgulho de suas cidades. E por isso insisto que os governos sejam o exemplo. O exemplo que vem de cima e contraria a antiga expressão impositiva. Sejamos o exemplo daquilo que queremos ver, ou melhor, faça o que eu faço!