Reduzir primeiro, mudar a fonte depois!

Reduzir primeiro, mudar a fonte depois!

Porque a energia solar fotovoltaica nem sempre é a melhor solução para a sua empresa.

Recebo muitas consultas de empresas e indústrias interessadas em saber como se beneficiar da energia solar fotovoltaica. Cada e-mail ou telefonema que recebo me deixa extremamente animada, principalmente porque muitos dos contatos surgem a partir de alguma ideia deixada em caixinhas de sugestão ou aparecem naqueles programas de premiação de ideias, comuns em grandes organizações.

Vibro ao ver que as pessoas estão se informando. Que o trabalho de fomento que eu e tantos outros parceiros temos feito começa a surtir efeito, principalmente quando conseguimos atrair a atenção da mídia. Até o ano passado, eu entrava para palestrar em faculdades de engenharia e me deparava com estudantes que nunca haviam ouvido falar da tecnologia. Pior, logo diziam “o que tem de inovador nisso, se já tenho há anos em minha casa?” Ops! Não estamos falando da mesma coisa. A energia solar fotovoltaica é diferente da energia solar térmica, essa que todo mundo felizmente já tem em casa. É da primeira que falo.

É por isso que ressalto minha animação. Desde que a Resolução 482/2012 da ANEEL, que permitiu que sistemas de geração fotovoltaica se conectassem a rede de distribuição, entrou em vigor já se vai um ano e meio, mas finalmente agora sinto que meu discurso já mudou do grego para o português.

Porém, em tempos de informação rápida e de baixa qualidade, em que a leitura de todos os artigos acaba se resumindo a títulos e, por sorte, a subtítulos, quero deixar meu recado para as empresas e indústrias interessadas na geração distribuída de energia solar fotovoltaica. Nem sempre essa é a melhor solução para sua empresa!
Digo isso sem medo de errar. Primeiro porque sei que o principal motivador para o surgimento do interesse é a possibilidade de redução de custo de um insumo tão significativo na composição final do preço de produtos e serviços. Segundo, porque também sei que essa redução para ser interessante necessariamente deve estar associada a um rápido retorno do investimento.

É aí que está o problema! Empresas e indústrias, grandes consumidoras de energia, normalmente pagam por uma demanda contratada – pense nisso como um pacote de minutos de operadora de telefonia celular – e pelo consumo efetivo em quilowatts-hora. A energia solar fotovoltaica quando conectada à rede de distribuição irá reduzir o consumo efetivo e não a demanda contratada. A demanda contratada teoricamente não se altera. A questão é que a energia solar fotovoltaica reduz justamente a parte mais barata da conta, ou seja, aquela energia produzida no horário fora de ponta, no horário em que a concessionária vende o quilowatt-hora pelo menor preço.

Ainda que sua empresa concentre seu consumo de energia no horário fora de ponta, o valor que se paga pela tarifa não permitiria que nenhum diretor financeiro, nenhum CFO, assinasse a autorização para o investimento. Os valores atuais praticados pelo mercado não permitem que a conta feche. Não se pode falar em retorno do investimento.
Mas longe de mim querer desestimular o avanço da inserção da tecnologia no mercado. Afinal, promover a ampliação das fontes de energia renovável na matriz energética brasileira é a minha bandeira. A energia fotovoltaica, hoje, é sim muito interessante como investimento para consumidores baixa tensão, com tarifas do subgrupo B. Para consumidores residenciais, atualmente, é possível se falar em retorno do capital investido em sete anos. Lembro que os módulos fotovoltaicos possuem vida útil superior a 30 anos.

O que realmente pretendo neste artigo, é deixar claro que há caminhos mais curtos e mais importantes para a redução do custo da energia na composição final de preço do produto ou serviço das empresas. E o caminho é simples: promova eficiência energética.

Eficiência energética é uma alternativa óbvia, significativamente mais barata, e ainda pouco praticada. Não falo somente da substituição das lâmpadas fluorescentes por outras de LED. Há diversas opções interessantes: telhado branco, correção do fator de potência, substituição de equipamentos e maquinários antigos por outros com selo PROCEL de economia de energia, etc.

O raciocínio é simples: por que pensar em gerar mais energia se é possível gastar menos? Reduzir o consumo é a primeira decisão que empresas e indústrias devem tomar. E somente depois de se esgotar todas as alternativas tecnicamente viáveis de economia de energia é que se deve pensar em geração fotovoltaica. Isso, quando os sistemas se tornarem mais baratos que as tarifas cobradas pela concessionária. O que sinceramente torço para que aconteça muito rapidamente.