A Energia Fotovoltaica finalmente chegou ao Brasil

A Energia Fotovoltaica finalmente chegou ao Brasil

E chegou na hora certa.

Parece que finalmente a energia fotovoltaica chegou ao Brasil para ficar. Há anos o país conhece a tecnologia que há mais de três décadas já é usada para fornecer energia a locais afastados das redes elétricas ou também a embarcações que ficam dias em alto mar. Mas digamos que só agora o assunto chegou à mesa do bar.

A popularização da tecnologia que começamos a experimentar é fruto dos absurdos aumentos já transferidos ao consumidor, ou ainda dos mais absurdos aumentos prometidos para os próximos meses e anos. A preocupação é generalizada e se nota em cada ligação e contato que recebemos na empresa. Há dois anos, quando começamos a executar as obras da Usina Solar do Mineirão, praticamente ninguém conhecia a tecnologia no Brasil. Há um ano e meio, quando instalamos o primeiro sistema de geração distribuída conectada à rede da cidade de Belo Horizonte, foi um evento, com direito a jornal, representante do governo local e diversos convidados. Uma festa. Hoje, ninguém mais fala em querer ser sustentável, argumento que usávamos no início para tentar vender o sistema. Todo mundo quer mesmo é gastar menos, reduzir o custo fixo com energia, sair da mão dos ditames do governo.

Mas por que esse movimento, esse crescente interesse popular pela autogeração de energia, demorou tanto a acontecer? Há alguns dias, com trabalho a tope, essa pergunta anda vagando por minha mente, incomodando, cutucando. No continente europeu a tecnologia é usada há décadas. Os Estados Unidos, o Canadá, o Japão, a China e muitos outros países deram o salto bem antes de nós. E olha que nem todos possuem tanto recurso (sol) disponível como os brasileiros. O que havia de errado conosco? A resposta é clara. Tudo ocorre no seu devido tempo. Quando pensamos em comportamento, somos perfeitamente capazes de nos adaptar e responder às pressões ambientais. Somos resilientes. Ou seja, se a energia aumenta exponencialmente, vamos buscar uma forma de lidar com isso.

O estouro da energia fotovoltaica não iria acontecer antes, de nenhuma maneira. Com energia barata e abundante, equipamentos com preços muito mais altos que os atuais, sem qualquer incentivo financeiro e sem regulamentação pertinente, não havia como o cidadão se interessar pelo sistema. Nem mesmo o mais sustentável dos indivíduos.

E para quem se interessa pela tecnologia e quer aderir à autogeração, deixo uma importante dica: cuidado com os amadores e oportunistas que chegam ao mercado como aventureiros sedentos por uma oportunidade de se dar bem a qualquer custo. Investimentos altos como esse pedem profissionalismo, experiência e credibilidade de quem os oferece.